
Dicas ·
Pedagogia do Desporto
A importância da pedagogia do desporto infanto juvenil e o trabalho do treinador desportivo na formação social e desportiva do atleta.

Papel do Treinador de Desporto
Cada vez mais o desporto tem uma vertente de construção não só do atleta (jovem) mas também do indivíduo , na sua forma de ser e estar em sociedade.
O desporto numa assunção clara de caracter cultural e social é indissociável de preocupações educativas e formativas dos jovens.
Cabe ao treinador desportivo transmitir de forma clara e perceptível não competências motoras e comportamentais, mas também cultura – inerente ao desporto praticado (história, valores, entre outros), criando assim um ambiente favorável.
Para que o impacto pedagógico de assumirmos o desporto como uma forma de cultura e de “construção humana” é necessário o treinador de desporto criar um modelo de liderança, traçando objetivos, regras, sanções e uma organização de atividades.
No desporto infanto juvenil muitas vezes vemos atitudes ou comportamentos menos satisfatórios, como por exemplo vícios ou desvios, que não vão ao encontro das características do meio desportivo. Dessa forma é necessário que o treinador invista nessa mudança de atitudes, sendo o treinador o principal agente que atua sobre o sistema de valores.
Competências Técnicas e Pedagógicas
Será necessário que o treinador evidencie competência técnica no âmbito específico da sua modalidade, mas, contudo, é necessário competências pedagógicas para ser capaz de transmitir o know how técnico.
Demonstrando assim uma atitude que revele os seus conhecimentos técnicos e táticos (reconhecimento de autoridade) mas com base numa relação interpessoal (comunicação assertiva e liderança).
Processo de Liderança
Na condução de grupos, seja atletas desportivos ou treinadores de grau igual ou inferior, o treinador de grau II deve cuidar para exercer adequadamente o processo de supervisão pedagógica.
No processo pelo qual o treinador orienta outro treinador no seu desenvolvimento profissional, pessoal e humano:
1. Tarefa de mentor – é necessário haver disposição mental;
2. Fomentar confiança – intervenção positiva;
3. Estruturar o processo de supervisão:
- a. Filosofia da Instituição – Informar e esclarecer o formando sobre eventuais dúvidas quanto a instituição de acolhimento;
- b. Definir e planear as observações aos treinos/competições;
- c. Definir e planear reuniões de análise (acompanhamento);
- d. Verificar as atualizações do dossier do treinador em formação.
Importa que neste processo de mentor do treinador de grau II, existam troca de impressões (entre o mentor e o formando) e que se promovam momento de reflexão e autoconhecimento (seja por observação direta ou auto escopia).
No processo pelo qual o treinador orienta e transmite competências aos seus atletas, também num caracter desportivo e educacional, deverá faze-lo de uma forma didática:
Planeamento de atividades
- Objetivos
- Tarefas
Exercícios
De uma forma técnica, tática e pedagógica de acordo com o indivíduo em questão.
Será necessário criar responsabilidades com os atletas em questão.
O modelo de treino e competição deve ter em conta o desenvolvimento do atleta tanto ao nível de crescimento como ao nível de maturação do mesmo.
Adequando assim os conteúdos, volumes, intensidades e carga de acordo com cada um. Afeta assim todas as estruturas e funções de forma irregular e individual. Por exemplo o crescimento (ritmo) ao longo do tempo que varia de acordo com cada jovem.
Dado que a variações corporais se caracterizam em crescimento (transversal e longitudinal) e relação (cabeça, tronco e membros).
Desta forma o treinador desportivo deve ter em atenção o crescimento dos atletas biologicamente, com especial foco na gestão de carga de treino.
- Sistema Locomotor
- Sistema Orgânico (cardiorrespiratório)
- Sistema Preceptivo – cinético (nervos)
No entanto o papel do treinador vai, mas alem do que a parte motora e física de cada praticante desportivo. E desta existem outros fatores que não controlamos e diz respeito ao feitio e forma de ser de cada atleta.
Muitas situações estão relacionadas com o ambiente em questão, ou o simples facto de cada um gerir emoções de forma diferente.
Sucesso vs Insucesso
Assim sendo cade ao treinador de desporto, gerir situações de sucesso ou insucesso na competição, relativizar a vitoria e a derrota, avaliando a situação e o desenvolvimento de cada atleta em questão.
Em situações onde o publico alvo do infanto juvenil ainda é iniciação ou orientação, devemos relativizar o ganho ou perda na competição, mas sim valorizar a evolução e prestação durante o campeonato.
Após cada prestação em competição o atleta e o treinador devem ter o momento a sós, onde o treinador consegue avaliar junto do mesmo a sua perceção em prova, e conservar sobre os pontos a melhorar por exemplo.
No nível mais avançado (como especialização e alto rendimento) estas situações serão bastante diferentes ou nem existiram. Pois os objetivos, idade, e nível de crescimento e maturação (como mencionado anteriormente) são diferentes.
O Sucesso e o insucesso na aprendizagem são sempre da responsabilidade das duas partes envolvidas: quem ensina e quem aprende.
Muitas vezes os responsáveis, treinadores, país e dirigentes consideram a vitória o único critério identificador de sucesso, fazem dela uma afirmação e manifestação essa atitude perante as crianças e jovens praticantes de desporto, dando apenas sentido e valor à vitória e vencedores.
Esta situação para além de por em causa a aprendizagem desportiva pode levar ao abando em muitas situações.
Diz respeito ao treinador esclarecer que para além de ser uma situação sem total controlo (nos adversários, condições, juízes, etc.) é uma situação irrealista e deve promover-se o desenvolvimento e evolução, bem como incentivar a melhoria, relativizar a vitória ou derrota, o sucesso ou insucesso, mas sim reconhecer o esforço, empenho e dedicação e principalmente nas etapas iniciais com os grupos de crianças.
O conceito de superação em crianças ou jovens deve associar-se mais a perseguição de metas de aprendizagem e progresso pessoal, e estar mais relacionado com o esforço de cada um consegue dar a cada tarefa/objetivo realista.
Modelos de Intervenção
O treinador deve intervir adequadamente para regular a superação/ motivação intrínseca de cada praticante, promovendo o gosto e entusiasmo pelo desporto, através do elogio, objetivos e regras realistas e alcançáveis, dar oportunidade de participação do jovem, saber ouvi-lo, informa-lo, com base de uma relação positiva.
Existem vários modelos de intervenção:
- Direção (baixa competência e baixo empenho)
- Delegação (alta competência e baixo empenho)
- Orientação (alta competência e alto empenho)
- Comunicação verbal (linguagem, tom, volume de voz);
- Comunicação não verbal (olhar, movimentos do corpo, expressões faciais, posições corporais);
- Comunicar de forma – Simples, clara, audível, concreta, especifica e positiva.
- Demonstrar sempre abertura e disponibilidade para receber os praticantes que queiram falar com o treinador.
- Hábitos de preparação (pontualidade, cuidar do material, equipar, aquecimento, etc.);
- Ambiente calmo e sereno;
- Orientar o foco dos praticantes (aprendizagem, aperfeiçoamento, satisfação, menos resultado);
- Organização progressiva do aquecimento;
- Intervenções positivas, especificas e claras.
Cabe ao treinador saber qual utilizar e com que atleta em questão, pois tem como referência se o praticante desportivo tem baixa ou alta competência e o nível de empenho do mesmo.
Este modelo de intervenção pedagógica no treino e competição vai para alem de questões técnica e táticas ensinadas, mas também a forma como nos relacionamos com o praticante. Desde fazer repreensões de acordo com o nível e desenvolvimento; repreender comportamentos e não o valor da pessoa; a segunda parte da repreensão deve ser um elogio; repreender em cima do acontecimento e em privado se possível e demonstrar interesse sincero pela pessoa que se repreende.
Tanto no elogio ou repreensão qualquer praticante para melhorar necessita de intervenções claras e concisas quer sobre os seus comportamento e atitudes quer sobre o nível dos seus desempenhos. Por isso, constituem dois instrumentos essenciais à ação do treinador(a) no sentido de assegurar as condições mais convenientes ao progresso dos praticantes.
Treinador deveres:
Com serenidade e baixa hostilidade procurar estimular, intervir sobre o comportamento e atitude.



